Azul é a Cor Mais Quente

31 de março de 2014

Sábado de bobeira em casa e fui bem atrás de tirar o atraso de um filme que perdi no cinema. Ouvi falar muitíssimo bem. Levou Palma de Ouro em Cannes (não só o diretor como as duas atrizes! Única vez que isso aconteceu!) . E eu ainda não tinha visto.

Um beijo Steve Jobs e Apple Tv que por 4 dólares eu aluguei o filme em HD e assisti do conforto do meu lar.

São 3 horas de filme. 3 deliciosas horas. Trata-se do encontro amoroso entre duas mulheres. Já aviso que se você não fica confortável com cenas (bem!) picantes entre duas meninas, nem veja! Elas fazem amor no close. Várias vezes. Tem cenas de sexo que se aproximam de um registro pornográfico de tão verossímil. Sem máscaras. Sem pudor. Sem limites. Entrega total das duas mulheres da história e das atrizes que interpretam. Choquei. Filmão.

Primeiro que me apaixonei perdidamente pela atriz protagonista Adèle Exarchopoulos. Ela interpreta a também Adèle. Estudante que sonha em ser professora e descobre o sexo aos nossos olhos. Experimenta. Se experimenta. Experimenta o outro. A outra. Se descobre. Se procura. Se encontra no seu corpo. No corpo da outra. Intensa e profundamente no corpo (e no cheiro, no olhar, na companhia) da outra. A vida passa a fazer sentido. E não tem um take sequer jogado fora. São três ininterruptas horas de Adèle (atriz e personagem!) dando show. Show. Acho que é o trabalho de atriz mais lindo que já vi. Sem exagero. Espetáculo. Genuína e agressiva. Precisa. Impecável.

O filme acabou e fui correndo para o google. Não conhecia nenhuma das duas. (Léa Seydoux que faz Emma também vai muito bem! Mas, para mim, o filme é da Adèle!) Precisava saber onde tava aquela atriz monstra até hoje que não tinha visto nada dela ainda. E… choquei mais: ela tem 20 anos. V-i-n-t-e anos, tá ok?! E filmou todas as cenas tórridas ainda com 18. Quem viu o filme vai entender o meu choque… Ela alcançou profundidade demais para tão pouca idade. Extremos poderosos que com meus 28 (falou a tia! ;)) bem vividos não sei se alcancei. E ela vai além… Explode. Catarse em cena.

Juro que ficaria um dia inteiro aqui falando do trabalho dessa menina. Mas acho que deu, né?! 🙂 Palmas também para o diretor tunisiano Abdellatif Kechiche (até li que as atrizes deram depoimentos dizendo que sofreram abuso durante as filmagens. Que ficavam muito expostas, nuas além do necessário e tal mas nem quis entrar nesse mérito! Assunto muito delicado. Foquei só no resultado final que assisti!) com takes lindos que fazem a gente ler até pensamentos das personagens. Ser cúmplices. Fazer parte. Tantos momentos de silêncio que falam tanto.

Adorei. Mesmo. Tanto que o filme acabou, abri um vinho, e sentei para escrever. Quem sabe daqui não sai também uma crônica… Vinho reflexivo da arte de encontrar e desencontrar e reencontrar da vida… Nada fácil!

Cheers!

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Curta - Julia Faria

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